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quinta-feira, 2 de março de 2017

Melancia-da-praia

Estou de volta depois de um longo tempo e quero falar de mais uma de minhas lembranças, a melancia-da-praia (Solanum capsicoides). Esse pequeno fruto dá normalmente num pequeno arbusto espinhoso e pode ser retirado e consumido da planta tanto verde quanto maduro. Pelo menos era assim que eu comia e nunca passei mal comendo com semente e tudo. Vi em algumas pesquisas que não recomendam comer com as sementes, mas aprendi a comer ela toda sem problema.

Quando tinha entre 5 e 7 anos e chegava o período de férias escolares, eu percorria grandes distâncias a pé para chegar na comunidade de Santana que fica na zona rural de Araçuaí. Lá moravam minha mãe e meus irmãos com seu antigo companheiro. Ia com eles para passar meu período de férias com minha mãe que trabalhava e morava naquela comunidade. 

Além do encontro entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí, as vendinhas na comunidade ribeirinha de Itira e a travessia de canoa ou de balsa; tinha também a lembrança do longo caminho que fazíamos caminhando após atravessar o rio para chegar em Santana. Como eram dois adultos e três crianças, eu acaba sobrando para fazer o trajeto sem ser carregado. No que eu gostava muito, dava uma certa sensação de independência mesmo tão novinho. 

No trajeto íamos bem devagar para não nos degastarmos demais. Eu era o que mais aproveitava por estar mais livre da vigília dos adultos e levava comigo um pequeno estilingue que só servia para espantar os passarinhos. Tinha a mangueira muito fina por causa de meu tamanho e força. Não me lembro de matar nenhum passarinho pelo caminho he! he!   

Espantar passarinho era um dos meus passatempos enquanto fazíamos a caminhada, era só ver um que saía do caminho e ia atrás. Nisso todo mundo parava e me esperava até que eu voltasse. Como tinha muitos pássaros pelo caminho, essa era uma forma de me manter interessado pelo caminho e sem reclamar muito de alguma monotonia enquanto não chegávamos. 

Além desse detalhe tinha outras coisas que guardo com muito saudade desses tempos. As frutas que colhíamos na estrada. Uma chamávamos e murta e tive o prazer de colher e comer outra vez em 2010 na última vez que fiz esse mesmo trajeto, desta vez com meu irmão para relembrar o caminho. A outra, que até então nunca mais tinha visto, era a melancia-da-praia (pode ter outros nomes noutros lugares). 

Colhíamos bastante o fruto desse pequeno arbusto espinhoso no caminho para enganar um pouco a fome e a sede pela longo caminho a ser trilhado. É uma frutinha com uma boa dose de água e parece ser muito boa para aliviar a sede. Como eu ia um pouco à frente para procurar passarinhos, era o primeiro a avistar esta frutinha e então parávamos um pouco e consumíamos o que tinha lá que dava para comer. Era uma forma também de descansar, e como ela era abundante naquele percurso, ficávamos um bom tempo parados no meio do caminho. Aliviava bastante. 

Como já tinha voltado a ver e consumir a murta em 2010, faltava a melancia-da-praia que não tinha no caminho quando refizemos o caminho. Provavelmente não era a época ou de alguma forma ela não apareceu muito naquela época. Mas não dá para saber por uma pequena passagem...

Entretanto, essa saudade e vontade de rever aquela frutinha que me trouxe bastante alívio durante uma longa caminhada e era bastante farta nas trilhas para as casas na comunidade de Santana foi inesperadamente reencontrada numa pequena visita que fiz a uma pequena cidade chamada Jenipapo de Minas. 

Tudo que eu esperava encontrar em Jenipapo de Minas eram jenipapo e vi logo na chegada que não estava enganado. Mas ao fazer um pequeno caminho até o rio Setúbal que corta a cidade, vi alguns pezinhos de melancia-da-praia que ainda sobravam da última frutificação. Não perdi a oportunidade e procurei o que podia e colhi alguns frutos e trouxe algumas sementes para quem sabe plantar no quintal da casa de minha mãe. Deu muito alegria e uma imensa nostalgia poder ter esse pequeno reencontro com essa frutinha não tanto saborosa, mas que deve aliviar um pouco da necessidade de muita gente que vive no campo ou faz trilhas pelo mato.

É isso, quis falar um pouco sobre esse pequeno fruto que fez parte da minha infância e deve ter feito parte de muitas outras por aí. Meu carnaval foi muito proveitoso com descanso, novos lugares que conheci e velhas lembranças que eu pude reviver. Carnaval não é só folia he! he!










  



quinta-feira, 10 de março de 2011

Porto Alegre, primeiras impressões

Quem acompanha este blog ou faz parte da minha vida sabe que viajei de avião no dia 2 de março para a cidade de Porto Alegre com o intuito de alcançar o título de mestre em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Foi minha primeira viagem de avião e confesso que tive um medo inicial, mas a medida que o tempo foi passando eu fui me tranqüilizando cada vez mais. A partida ocorreu perto das 22 horas e a única parte que me deu aquele friozinho na barriga foi na decolagem. A viagem até que foi bastante tranqüila e rápida, cheguei a POA às 00h05min segundo a aeromoça (acho que foi).

Por desconhecer a capital gaúcha, tive que ficar esperando amanhecer no aeroporto para poder procurar um local de forma mais segura. Não foi uma experiência muito boa, pois ao contrário do que eu imaginava, não havia muito coisa para passar o tempo.

Agora vem a parte de que todos me perguntam quando liguei de Porto Alegre. Como é a cidade? Está fazendo muito frio? Conheceu gente nova? Está gostando? e etc., etc., etc.

Neste pouco tempo que estou em POA não deu para conhecer a cidade totalmente, mas a região central que é onde vou estudar eu conheci bastante. Lembro-me de uma conversa com um pai de um amigo meu (ex-colega) a respeito da cidade e não foi muito longe do que ele disse. Porto Alegre é uma capital com “ares de interior”, seu centro contém vários prédios de construções antigas (é uma cidade mais velha), tem vários parques florestados e muitas praças espalhadas e como lado negativo eu apontaria as proximidades da rodoviária que me parece meio sujo, abandonado e perigoso.

A pergunta vinda principalmente dos araçuaienses é se estou sofrendo muito com o frio. Era o que eu imaginava ao vir para esta cidade também, mas até agora eu estou sofrendo mesmo é com o calor e com a falta de chuva que deixa o ar muito seco. Explico sempre que ainda estamos no verão e fui alertado que em POA fazia muito calor também, mas parece que as coisas estão mudando e já há certa mudança de clima no ar... Acalmem-se, não vai demorar muito para eu congelar por aqui e telefonar atônito sobre o clima hehe.

Sobre conhecer gente nova ainda não tive muitas oportunidades. Primeiro porque não sou tão expansivo e encarei um feriadão prolongado de carnaval que deve ter levado uns 70% dos habitantes da cidade da capital gaúcha rumo ao interior ou outros estados (principalmente as pessoas mais jovens). Troquei idéias com alguns transeuntes, mas foi só isso: acabada a conversa, foi cada um para o seu canto. A hora boa de conhecer novas pessoas e ter novas amizades será no início das aulas mesmo.

A última das perguntas é se estou gostando. É complicado dizer agora, foram muitas turbulências iniciais devido ao total desconhecimento da cidade e ao mesmo tempo o fascínio por estar descobrindo coisas novas ficam lado a lado. Acho que com o tempo estas duas coisas vão acabar e o que posso contar é que ainda tenho muitas expectativas agradáveis no que diz respeito a morar em Porto Alegre e acho que dificilmente serei desapontado. 

Rodei, rodei e não respondi a última pergunta? Quem sabe daqui a 1 ano ou 2 eu terei uma opinião formada. Hoje ainda vivo de expectativas e tenho muito o que desvendar nesta nova cidade e neste novo estado.