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sábado, 12 de agosto de 2017

Ipê-Violeta

Há pouco tempo fiz a descoberta de uma espécie de ipê nativa que cresce quase que exclusivamente da região do Vale do Jequitinhonha, o ipê-violeta (tabebuia gemmiflora). Isso tudo se deveu a uma curiosidade sobre os ipês. Passei a conhecer bastante essa árvore com a minha morada em Brasília e fiquei fascinado com a sua floração nos invernos da capital.
Resolvi plantar uma muda de ipê na nova casa de minha mãe que praticamente não tinha plantas. Oportunidade e tanto para restabelecer o meu vínculo com a jardinagem que gostava tanto de fazer quando era criança. Nesta época, queria plantar de tudo no quintal de casa, mas tinha pouco conhecimento para conseguir. As coisas mudaram e agora posso plantar muita coisa, o problema é o espaço. Nada é perfeito.
Achei a árvore de ipê ocasionalmente quando estava indo, com um primo meu, em busca de uma muda de uma fruta que o povo chama de murta (parecida com a jabuticaba) e que não sei ao certo qual é o nome científico. Fiquei muito surpreso quando o meu primo (que não sabia da existência desse ipê) apontou uma árvore que ele achava que era um ipê. Pude confirmar que era o ipê que eu tanto procurava e o achei de forma tão despretensiosa.
A floração estava exuberante com várias flores espalhadas pelo chão como um lindo tapete. A árvore quase não tinha folhas, típico dessa planta em sua floração.
Falei em voltar e trazer a câmera para registrar aquele espetáculo presenciado por nós, mas na volta já foi o tempo de quase todas as flores caírem (talvez ajudada pela chuva do dia anterior) e dessa vez apenas o chão estava esplêndido. Mesmo com esse pequeno contratempo, resolvi tirar fotos das poucas flores que restaram na árvore. Tenho certeza que pouca gente conhece essa belíssima árvore muito rústica e com um tremendo potencial paisagístico.
Fiquei de frente de duas árvores que considero marcantes na minha região. A murta, uma fruta que nasce espontaneamente no mato e que a criançada saem para a mata a procura dessa fruta deliciosa, principalmente no mês de janeiro. E o ipê-violeta (ou ipê-púrpura) que dá flores exuberantes quase que exclusivamente nas matas virgens de nossa região. Duas plantas símbolos com bastante resistência e utilidade como alimento ou paisagismo. Valeu a pena revê-las. Quem sabe ainda consiga algumas sementes, antes que desapareçam...  





quinta-feira, 2 de março de 2017

Melancia-da-praia

Estou de volta depois de um longo tempo e quero falar de mais uma de minhas lembranças, a melancia-da-praia (Solanum capsicoides). Esse pequeno fruto dá normalmente num pequeno arbusto espinhoso e pode ser retirado e consumido da planta tanto verde quanto maduro. Pelo menos era assim que eu comia e nunca passei mal comendo com semente e tudo. Vi em algumas pesquisas que não recomendam comer com as sementes, mas aprendi a comer ela toda sem problema.

Quando tinha entre 5 e 7 anos e chegava o período de férias escolares, eu percorria grandes distâncias a pé para chegar na comunidade de Santana que fica na zona rural de Araçuaí. Lá moravam minha mãe e meus irmãos com seu antigo companheiro. Ia com eles para passar meu período de férias com minha mãe que trabalhava e morava naquela comunidade. 

Além do encontro entre os rios Jequitinhonha e Araçuaí, as vendinhas na comunidade ribeirinha de Itira e a travessia de canoa ou de balsa; tinha também a lembrança do longo caminho que fazíamos caminhando após atravessar o rio para chegar em Santana. Como eram dois adultos e três crianças, eu acaba sobrando para fazer o trajeto sem ser carregado. No que eu gostava muito, dava uma certa sensação de independência mesmo tão novinho. 

No trajeto íamos bem devagar para não nos degastarmos demais. Eu era o que mais aproveitava por estar mais livre da vigília dos adultos e levava comigo um pequeno estilingue que só servia para espantar os passarinhos. Tinha a mangueira muito fina por causa de meu tamanho e força. Não me lembro de matar nenhum passarinho pelo caminho he! he!   

Espantar passarinho era um dos meus passatempos enquanto fazíamos a caminhada, era só ver um que saía do caminho e ia atrás. Nisso todo mundo parava e me esperava até que eu voltasse. Como tinha muitos pássaros pelo caminho, essa era uma forma de me manter interessado pelo caminho e sem reclamar muito de alguma monotonia enquanto não chegávamos. 

Além desse detalhe tinha outras coisas que guardo com muito saudade desses tempos. As frutas que colhíamos na estrada. Uma chamávamos e murta e tive o prazer de colher e comer outra vez em 2010 na última vez que fiz esse mesmo trajeto, desta vez com meu irmão para relembrar o caminho. A outra, que até então nunca mais tinha visto, era a melancia-da-praia (pode ter outros nomes noutros lugares). 

Colhíamos bastante o fruto desse pequeno arbusto espinhoso no caminho para enganar um pouco a fome e a sede pela longo caminho a ser trilhado. É uma frutinha com uma boa dose de água e parece ser muito boa para aliviar a sede. Como eu ia um pouco à frente para procurar passarinhos, era o primeiro a avistar esta frutinha e então parávamos um pouco e consumíamos o que tinha lá que dava para comer. Era uma forma também de descansar, e como ela era abundante naquele percurso, ficávamos um bom tempo parados no meio do caminho. Aliviava bastante. 

Como já tinha voltado a ver e consumir a murta em 2010, faltava a melancia-da-praia que não tinha no caminho quando refizemos o caminho. Provavelmente não era a época ou de alguma forma ela não apareceu muito naquela época. Mas não dá para saber por uma pequena passagem...

Entretanto, essa saudade e vontade de rever aquela frutinha que me trouxe bastante alívio durante uma longa caminhada e era bastante farta nas trilhas para as casas na comunidade de Santana foi inesperadamente reencontrada numa pequena visita que fiz a uma pequena cidade chamada Jenipapo de Minas. 

Tudo que eu esperava encontrar em Jenipapo de Minas eram jenipapo e vi logo na chegada que não estava enganado. Mas ao fazer um pequeno caminho até o rio Setúbal que corta a cidade, vi alguns pezinhos de melancia-da-praia que ainda sobravam da última frutificação. Não perdi a oportunidade e procurei o que podia e colhi alguns frutos e trouxe algumas sementes para quem sabe plantar no quintal da casa de minha mãe. Deu muito alegria e uma imensa nostalgia poder ter esse pequeno reencontro com essa frutinha não tanto saborosa, mas que deve aliviar um pouco da necessidade de muita gente que vive no campo ou faz trilhas pelo mato.

É isso, quis falar um pouco sobre esse pequeno fruto que fez parte da minha infância e deve ter feito parte de muitas outras por aí. Meu carnaval foi muito proveitoso com descanso, novos lugares que conheci e velhas lembranças que eu pude reviver. Carnaval não é só folia he! he!










  



domingo, 26 de outubro de 2014

Eleições 2014

Hoje é dia de eleição. Muitos ufanistas vão dizer que é o momento ápice de se exercer a cidadania, mas eu não vejo assim. Pode-se produzir grandes coisas na vida de alguma pessoa ou da sociedade sem ser época de eleição. Mas não deixa de ser uma época importante, vamos decidir quem fará nossas escolhas públicas e vai gerenciar mais de um terço da nossa riqueza arrecadada com os altos impostos.
Estarei novamente de fora desse pleito, mas peço que pensem bem em quem votar. Olhem as propostas, pense não só no seu futuro, mas também de quem ainda está crescendo ou está por vir. Busquem todas as informações possíveis e não deixem que o fanatismo, a influência de terceiros ou a troca de favores seja a única coisa a se levar em conta.
Votem bem, várias coisas estão envolvidas e, principalmente, ajam como vocês queiram que seus candidatos agissem. Leia o plano do governo dos dois candidatos e cobre aquilo que você esperava que o candidato vencedor fizesse. Fazendo isso estarão numa guinada certa rumo a um país melhor e mais digno para todos.

Boa votação a todos e, por favor, sem comentários políticos. O tempo de influenciar se foi. 

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

10 anos pelo mundo

Na postagem anterior, comentei sobre a saída da minha cidade. Hoje discutirei um pouco sobre a continuação daquela história que se deu num dia como este, a chegada a Belo Horizonte. Depois de quase 12 horas pelas estradas de Minas Gerais o ônibus chega a BH e, então, dou meus primeiros passos sozinho pela aquela cidade.
O ônibus, naquela época, parava num ponto da Avenida Afonso Pena. Era uma amostra e tanto do quanto minha vida iria mudar. De uma cidade pacata e com pouca densidade populacional, me deparei com a avenida mais movimentada de Belo Horizonte. Era muita gente passado de um lado para o outro e eu feito bobo olhando aquele mar de gente seguindo seus destinos.
Bom, cheguei no ponto final da minha viagem, mas meu trajeto não terminava ali. Tinha que encontrar a casa da minha tia. Ia receber abrigo por lá e terminar o ensino médio para, quem sabe, ser aprovado num curso superior. Consegui com algumas informações chegar ao local que deveria pegar o ônibus coletivo para chegar lá, apesar de ter uma pequena confusão em compreender que o ponto de chegada era o mesmo de partida he! he!.
Depois de alguns minutos para pegar a condução, fui pedir assistência ao cobrador para me indicar qual seria o ponto de parada. Era muito embaraçoso fazer isso naquela época. Achava que pedir informação seria incomodar as pessoas. Tinha receio de comunicar com pessoas desconhecidas e durou bastante tempo para aprender a perder o embaraço. Mas fui gaguejando pedi informações e a viagem seguiu.
Parei no lugar certo, mas minha memória não estava boa o suficiente para saber o que fazer a partir dali (estive lá há três anos atrás e estava próximo a residência, mas não tinha ideia do que fazer para chegar). Liguei para minha tia e ela falou para pegar qualquer van naquele ponto e pedir para parar no hospital regional. Era o ponto de referência que eu precisava.
A primeira condução que passou eu parei ela e fiquei olhando se encontrava o hospital regional. Mas ela andava e andava e nada de eu ver o hospital. O motorista já ia percebendo que o trajeto ia acabando e eu estava lá meio inquieto sem saber o que fazer. Não me lembro direito se ele me perguntou onde eu queria descer ou se eu vi que ele já havia percebido que eu estava meio perdido e fui até ele perguntar se a van passava pelo hospital regional. Ele disse que não passava, fiquei sem saber o que fazer. Expliquei para ele a minha situação e, para minha surpresa, ao informar que estava chegando de Araçuaí, o motorista disse que também era de lá.
Depois de tamanha coincidência, fui contando minha história e ele também foi falando um pouco sobre a sua e foi me dando referências. Ambos tínhamos vínculos com o mesmo bairro da cidade e ele quebrou meu galho ao sair um pouco de sua trajetória para me deixar num caminho que era fácil chegar na casa da minha tia. Pediu como favor para mandar lembranças aos parentes dele que eu conhecia. Falei que ia fazer isso, mas não sei ao certo se fiz.
Parei no local indicado pelo meu conterrâneo e fui descendo o morro em direção à casa de minha tia. Começava então, num dia como este, há dez anos, toda a minha trajetória de ensino médio, faculdade, mestrado, doutorado, novos amigos, novas cidades, novos estados e, acima de tudo, uma vida cheia de oportunidades.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

10 anos do dia em que eu saí de casa

Hoje, exatamente hoje se completa dez longos anos do dia em que deixei minha casa e minha cidade em busca de novos horizontes na vida. Aquele fatídico, mas esperado dia mudou minha vida repentinamente e me trouxe responsabilidades que até então nunca tive, levando-me abruptamente da adolescência para a vida adulta em um dia.
Foi um dia de indecisão, pois me via prestes a me formar no ensino médio na minha cidade, mas sem muita perspectiva sobre o que fazer na vida. Meu tio Rogério que também saiu de Araçuaí para estudar vivia me dizendo para sair da cidade, era hora de crescer ou pelo menos buscar o crescimento e, para isto, era imprescindível que eu saísse da "barra da sai de minha" mãe e encarasse o mundo sozinho.
Esta decisão foi sendo adiada, o primeiro pedido foi logo ao terminar o ensino fundamental, mas não me considerei preparado o suficiente para fazer o ensino médio fora. Ainda era muito imaturo, julguei ser melhor continuar em casa, crescer e estreitar melhor meu relacionamento com minha família e a cidade antes da decisão de ir embora.
O tempo passou e, mesmo estudando numa escola com qualidade inferior, resolvi que ia melhorar meu rendimento e talvez me aventurasse num sonho de fazer um curso superior que, até então, era visto como um sonho impossível pra mim. O desafio era acumular o maior conhecimento possível no ensino médio e continuar aproveitando minha casa, família e viver meus últimos passos como cidadão araçuaiense antes de partir para o improvável. A semente estava plantada.
Ao final do ensino médio, vem a noticia que minha tia Lindaura que morava em Betim estava disposta a me acolher em sua casa para que eu terminasse o ensino médio por lá e pudesse estar mais próximo de alunos que tinham o mesmo pensamento que o meu e assim poder de fato medir meu nível de ensino. As portas se abriam, mas a incerteza e a aquela vontade de fazer as últimas despedidas pela cidade adiaram um pouco a minha ida.
Passaram-se mais dias e aos poucos sentia que a cidade podia estar ficando pequena para o que eu esperava fazer. A vida era boa, sem muito dinheiro, mas com muitos amigos e na fase que estava o dinheiro não importava muito, pois as diversões de cidade pequena eram feitas na escola, rua, rios, etc. Entretanto, aos poucos via que a maioridade ia chegando e não avistava meu futuro na cidade. O convite para mudança começara a ecoar na minha cabeça.
Comecei a comentar com meus colegas, com minha mãe e, aos poucos, ia me preparando para o que estaria por vir. Havia saído da minha cidade apenas duas vezes. Quando criança passava férias do meio do ano na casa de minha tia em Capelinha e na adolescência fui para a formatura do meu tio em Viçosa. Meu conhecimento era praticamente nulo fora da minha cidade, nem as cidades vizinhas eu conhecera até então. Estava muito cru, mas era preciso arriscar.
Consegui uma passagem para Belo Horizonte pela prefeitura da minha cidade, o alto custo da passagem de ônibus pela Gontijo estava eliminado. Liguei para minha tia, conversamos, ela me explicou como ia ser minha morada na casa dela até que eu terminar o ensino médio e depois tentar a vida pela capital. Conversei com minha mãe, ela concordou, não havia muito que fazer. Era hora de apressar as despedidas.
Era então num dia como esse, aproximadamente no mesmo horário que, há dez anos, toda minha trajetória começara a ser decidida. Bolsas arrumadas, não havia muitos bens para levar, mas havia muita esperança. Horas antes de embarcar não encontrava minha passagem, a responsabilidade ainda não havia chegado. Arrumamos um jeito, conversamos com a responsável pelas viagens que confirmou meu nome na lista. Apesar da minha imaturidade, fui salvo. Dias depois descobri a passagem no fundo de um de muitos dos meus bolsos...
Aguardava a hora da partida, havia um momento de hesitação e angustia, pois partiria rumo ao desconhecido. Despedi de minha mãe e de minha irmã que foram comigo até os últimos passos e entrei no ônibus. Não tinha volta...
Não tirava a cabeça da janela, queria ficar olhando tudo aquilo ali que fora toda a minha vida. Conversava pela janela com minha mãe e minha irmã até o motorista dá a partida. Não queria ficar pensando demais no que estava a me esperar para não ficar mais aflito do que estava. O motorista liga o ônibus, foi dada a partida. Olhei pela janela e dei tchau para minha mãe e irmã que começara a chorar, tive que parar de olhar para não fraquejar... O ônibus foi contornando a cidade rumo à rodovia, a cidade ia ficando para trás. Alcançado a rodovia, o último olhar para a cidade que sempre vivi. Era meu adeus como morador, o destino me aguardava.

domingo, 26 de junho de 2011

Fim do primeiro trimestre letivo no mestrado

Como coloquei em outro post, dia 10 de junho encerrou-se o primeiro trimestre de estudos no mestrado em economia aplicada e este post será mais sobre minhas impressões e julgamentos das matérias cursadas.

Das disciplinas que tive pude tirar coisas muito boas. Teoria Microeconômica 1 foi a mais legal de todas e o nosso professor deu o conteúdo de forma muito interessante e a turma foi unânime em aprovar como a melhor disciplina do trimestre. 

Estudamos a parte da teoria do consumidor, teoria da firma e equilíbrio geral e pude aprender muitas coisas legais, principalmente a parte da teoria do consumidor e equilíbrio geral que foi mais enfatizado pelo nosso professor. O professor sempre usava exemplos desde problemas comuns que enfrentamos no dia-a-dia a exemplos mais complexos envolvendo toda a sociedade, embora ela não soubesse disso. Demos boas risadas em alguns exemplos e aprendemos como o bom entendimento da teoria econômica pode ser importante em outros exemplos. 

Economia Matemática 1 não foi tão bem aproveitada. A primeira parte era chata e em minha opinião desnecessária e não me sentia saindo das aulas aprendendo o conteúdo da matéria. Tive que dedicar muito tempo extra nesta disciplina e como ele foi curto devido à fase de adaptação. Não pude extrair um conhecimento que eu julgaria desejado para esta disciplina, mas sei que há uma parcela boa que pertence a mim. No mestrado o aprendizado tem que ser muito mais fora do que dentro de sala de aula.   

A outra disciplina que tive neste trimestre foi de Estatística. O conteúdo foi de Probabilidade e Inferência. Esta foi a disciplina que escolhi fazer no primeiro período letivo, mesmo sabendo que ela era a eletiva mais puxada para escolher. Dentro das disciplinas que tinha eu achei que seria a mais legal a se fazer porque gosto bastante da área estatística, principalmente a parte de Inferência. O lado negativo a meu ver foi que gastamos tempo demais em Probabilidade e ficamos com uns 80% do tempo neste tópico. 

Óbvio que aprendi bastante, mas acharia mais legal ter um tempo dedicado a Inferência maior, afinal esta é a parte que nós economistas mais lidamos. No geral aproveitei bem a disciplina e também gostei bastante da didática do nosso professor, apesar de ter deixado Simulação de Monte Carlo e Bootstrap. Uma boa parte do pessoal sentiu falta desta parte, mas acho que veremos no decorrer do curso (o primeiro método eu sei que vai). 

Ainda não saíram as notas e não sei como ficaram meus conceitos nestas disciplinas, mas também não sou muito de correlacionar notas com aprendizado, pois ao longo de todo o meu tempo de estudo já tive disciplinas que passei com 70 e poucos e aprendi bastante e outras que mesmo na casa dos 90 não me serviram muito bem. Correlação forte eu sei que há, mas não perfeita e como sei bem dos meus conceitos de estatísticas, uma prova é uma amostra dos seus conhecimentos, dado que é impossível ao professor conhecer a população. 

Julgo ter sido bom o meu aproveitamento porque acumulei muita coisa boa no período, mas sei que tenho espaço para melhorar muito ainda. Foi com meus colegas disseram, não dá para acertar tudo na primeira vez e com tempo a gente vai descobrindo as melhores estratégias de estudo ao longo do mestrado e os erros são comuns no início. 

Agora é repor as energias neste curto intervalo de nove dias (apesar de achar que o pessoal vai emendar o feriado de Corpus Christi) para voltar renovado e aprender muito mais no próximo trimestre. Este tem tudo para ser melhor afinal finalmente vai começar a parte que eu mais gosto na teoria econômica, a Econometria.

Primeiros três meses em Porto Alegre

Na última semana findou-se meu primeiro trimestre de estudos no mestrado de Economia Aplicada da UFRGS. Foi um período muito apertado e bem mais puxado do que é a graduação. Cada aula vem com conteúdo de 1 mês e sem dedicação integral é impossível ter um bom aproveitamento das disciplinas.

Quando alguém muda de cidade (principalmente de estado), é como se sua vida recomeçasse. Tudo muda, tudo é diferente do que foi antes e custoso se adequar novamente a essa nova vida. Minha mudança de Belo Horizonte para Porto Alegre foi difícil, saiu sem um planejamento adequado e sofri muito por isso. Ainda mais sem qualquer tipo de referência...

Minha nova cidade em si, não parecia ter uma forma tão diferente da minha antiga cidade e em muitos sentidos este fato se verificou. Apesar de ser uma das grandes capitais, Porto Alegre é uma cidade tranqüila para morar e com muitas opções baratas de lazer, assim como Belo Horizonte.

A diferença que eu mais senti foi em relação à moradia. Os prédios de Porto Alegres são em geral muito pequenos em relação à Belo Horizonte e as ofertas de novas vagas são bastante inelásticas. Estas dificuldades atrapalham muito a vida de um estudante que precisa e muito concentrar-se nos estudos.

Este foi o balanço negativo desta vinda para o Sul do país, mas creio que mesmo estes percalços foram positivos. Afinal é com eles que se aprende...

O lado prá lá de positivo foi a atmosfera encontrada em terras gaúchas. Sempre tive a curiosidade saber como seria morar no sul do país, especialmente na cidade de Porto Alegre. Acho a cultura e os valores deste lugar muito bonitos, assim como no meu estado. O que pegava era esse bairrismo que muitos diziam existir no estado do Rio Grande do Sul. Seria verdade?

A resposta veio aos poucos e pude perceber que grande parte do que diziam era pura mentira. No geral as pessoas recebem bem as pessoas de outros estados e o tal orgulho gaúcho não é tão diferente do orgulho mineiro, paulista, carioca, nordestino e outros mais. Alguns são exagerados chegando a ser mal educados, mas este tipo tem em todo lugar... 

Minha turma do mestrado é bastante boa. Tem bastante gaúcho (sete), uma mineirada boa (quatro), dois paulistas, um carioca e um peruano. Como a turma é pequena, a comunicação foi bem mais fácil desde o início. Minha turma é bem inteligente, irreverente e fazemos piadinhas das mais diversas situações que nos encontramos: desde a fase sofrida antes das provas, a dotação de belas garotas que não seja no nosso curso, nossas raríssimas, porém divertidíssimas saídas para descontrair, como deve ser uma turma de Economia em qualquer lugar.

A UFRGS tem no geral uma estrutura até boa, mas como toda instituição pública tem seus problemas de difícil solução... É preferível não expor, já que são as demandas são minhas. 

A vida agora é bem melhor do que antes, tenho bolsa de estudos que me dá a oportunidade de comprar bons livros, materiais escolares, alimentar bem, morar razoavelmente e ainda sobra para eu gastar como eu bem quiser (nada melhor do que isso para maximizar a satisfação de um consumidor).

Este é um pouquinho do que se passou nesses três meses de vida nas terras gélidas do sul (um leve tom de exagero hehe). Acho que tenho muito que aprender, desconheço muitas coisas dentro da própria Porto Alegre em razão da rotina de estudos, mas espero em breve estar conhecendo bem o lugar onde vivo atualmente e visitar em breve as cidades do estado e fazer minhas primeiras viagens internacionais pelo menos para o Uruguai e a Argentina. Em breve novas experiências! :-)

Agora é mais um trimestre e estou ansioso para começas as econometrias (minha razão de ter escolhido a UFRGS).  

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Apesar de vocês...

Ontem foi dia que eu mais me senti desrespeitado na minha vida. Nem quando fui assaltado os bandidos me trataram tão mal como a polícia do RS. Isto tudo porque tirei um dia para passear e tirar fotos da cidade, mas preto não pode comprar uma camêra digital e com certeza foi roubada... Aí vem no meio do nada, me mandam encostar, chutam as minhas pernas e perguntam "O que você já fez de sujeira?", antes de sequer verificarem algum antecedente criminal.

É duro, mas acho que a lei vale ao contrário para mim: Sou culpado até que se prove o contrário. E saem dizendo que é uma abordagem normal... É normal tratar um ser humano como um animal? Aliás, nem um animal merece ser tratado desse jeito. Em pleno século XXI, percebo que muitas coisas ainda não mudaram...

Mas é isso aí, tenho que me recompor e me seguir meu caminho apesar de vocês...

terça-feira, 15 de março de 2011

Ensino superior público x privado: prós e contras

Acabei de comprovar alguns prós e contras de estar numa instituição particular ou pública. Na particular o atendimento é muito mais pessoal e os assuntos que precisam ser resolvidos são de forma mais eficiente. Na rede pública, parece que a “garantia” do emprego deixa os funcionários são um pouco mais “ranzinza” no atendimento aos alunos e a demora em resolver os problemas é maior.

Creio que deve ser aquele velho problema dos incentivos certos na hora de atender os alunos. Também há problemas em relação ao uso do espaço (lugares amontoados num instante e vazio em outros), os materiais tecnológicos das instituições públicas são mais defasados em relação à particular e achei um absurdo uma instituição de ensino não funcionar aos sábados. Vão fazer muita falta estes dias...

Os ganhos de se estudar numa instituição de ensino público também são muito bons no meu caso. Como ainda não só lá bom de grana, dependo de alguns “subsídios” básicos para ir poder sobrevivendo melhor e estudar com maior tranqüilidade. É pesado ficar fazendo ajuste de gastos a toda hora e isto desvia a atenção do foco principal que é os estudos; um mal e tanto enfrentado por muitos alunos.

Em universidades públicas, há diversas políticas de apoio a este tipo de estudante como moradia universitária, restaurantes universitários, assistência jurídica e de saúde e outros mais. Estas políticas tiveram um bom peso na hora de escolher uma instituição pública para o mestrado, pois posso ter além da bolsa de estudos que há nas duas (pública e privada); serviços de essenciais de alimentação e moradia que devem ajudar muito no meu rendimento.

Então, se aquele que tem um "bom poder aquisitivo" (isto é relativo ao custo de vida do lugar) enfrenta alguns tradeoffs importantes na hora de escolher entre uma instituição de ensino pública e particular, para aqueles que não são tão bons assim o problema é um pouco maior. Uma das razões fortes que me fizeram trocar de idéia de estudar numa particular até mais bem conceituada pelo CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) por uma pública (também bem conceituada, mas menos) levou em conta alguns "benefícios extras" durante o mestrado.

Mas é isto. A vida é feita de escolhas, tome a sua e siga em frente que os dois caminhos vão dar certo se você tiver bastante empenho. 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Começa o 1º trimestre letivo no mestrado

Meu mestrado acadêmico em Economia Aplicada do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul começou ontem com um curso de nivelamento de Matemática (cálculo). Foi uma aula bastante rápida e expositiva sobre os principais tópicos matemáticos estudados no curso de Ciências Econômicas. Serve como crédito (1 no total), mas não é obrigatório participar e nem há uma prova como avaliação. São dadas listas de exercícios para os alunos irem se preparando para a disciplina de Economia Matemática I.

A previsão mínima de complemento do curso é de mestrado em Economia Aplicada é de 2 anos, sendo que o aluno tem que conseguir um mínimo de 34 créditos ao longo destes anos. O período letivo é trimestral, algo novo que vou ter que me acostumar. Tem-se no mínimo 2 disciplinas obrigatórias e 1 ou 2 eletivas de especialização que o aluno pode escolher.

Neste 1º trimestre eu já busquei algumas informações com um veterano sobre como é o curso, a cidade e outras coisas. Fiquei sabendo que posso fazer mais disciplina num trimestre do que o “recomendado” e ainda utilizar disciplinas de outros cursos dentro ou fora da faculdade, desde que seja aceito pela coordenação.

Este trimestre eu optei pela parcimônia e resolvi fazer o número de disciplinas “recomendado” pela coordenação e além do curso de nivelamento de matemática, estou matriculado em 2 disciplinas obrigatórias e 1 eletiva.

Como disciplinas obrigatórias eu vou ter Teoria Microeconômica I com o professor Marcelo Portugal de quem obtive ótimas referências e Economia Matemática I com Fabrício Tourrucoo, perfazendo um total de 7 créditos (3 e 4 créditos respectivamente). Como eletiva eu escolhi Estatística (Aplicada à Economia) do professor Flávio Ziegelmann que vale 3 créditos. Logo, neste trimestre eu estou fazendo um total de 11 créditos se aprovado em todas as disciplinas.

A disciplina de Micro I aborda os tópicos de Teoria do Consumidor, Teoria da Firma, Equilíbrio Geral e Economia do bem-estar. Espero aproveitar muito bem esta disciplina e pelo que vejo o professor é de boa qualidade. Microeconomia foi basicamente o meu destaque no exame ANPEC 2011 e graças a ela eu consegui uma boa classificação, além de ter estudado bem esta parte na minha graduação do Ibmec. Mas agora é mestrado e é bom abrir o olho e partir para um estudo bem mais forte do que eu tive até agora para me sair bem nesta disciplina.

Economia Matemática I talvez seja o meu maior empecilho neste 1º trimestre. Apesar de ter estudado novamente para o exame da ANPEC, faz-se um tempo maior que não mexo com matemática pura e meu ensino de base não foi tão bom nesta parte. Acho que terei que meter a cara com mais afinco nesta disciplina para conseguir se aprovado com um bom conceito. Espero também que o professor seja bastante didático e paciente porque devo importuná-lo muito com dúvidas em listas de exercícios hehe.

A disciplina de Estatística (aplicada à Economia) foi a eletiva escolhida por mim. Esta disciplina aborda os mais variados temas relacionados à estatística com aplicações na Ciência Econômicas. Escolhi esta disciplina por gostar muito de estatística e de sua relação com a economia e vai ser uma boa oportunidade de aprimorar meu instrumental estatístico que deve servir muito ao longo não só da minha vida acadêmica, mas creio que profissionalmente também. Tive boas referências desta matéria e é um dos temas onde posso chegar a me especializar (mais especificamente, Econometria).

Por fim, é chegada a hora de dar mais um passo na minha carreira acadêmica e está chegando a hora de afastar-me um pouco mais das atividades extra-classe para poder aprofundar mais nos estudos. Este blog faz parte destas “atividades extracurriculares” que pretendo dar uma parada brusca daqui uns dias. Vou passar a me comunicar de outra maneira, mas isto é assunto para outro post...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Porto Alegre, primeiras impressões

Quem acompanha este blog ou faz parte da minha vida sabe que viajei de avião no dia 2 de março para a cidade de Porto Alegre com o intuito de alcançar o título de mestre em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Foi minha primeira viagem de avião e confesso que tive um medo inicial, mas a medida que o tempo foi passando eu fui me tranqüilizando cada vez mais. A partida ocorreu perto das 22 horas e a única parte que me deu aquele friozinho na barriga foi na decolagem. A viagem até que foi bastante tranqüila e rápida, cheguei a POA às 00h05min segundo a aeromoça (acho que foi).

Por desconhecer a capital gaúcha, tive que ficar esperando amanhecer no aeroporto para poder procurar um local de forma mais segura. Não foi uma experiência muito boa, pois ao contrário do que eu imaginava, não havia muito coisa para passar o tempo.

Agora vem a parte de que todos me perguntam quando liguei de Porto Alegre. Como é a cidade? Está fazendo muito frio? Conheceu gente nova? Está gostando? e etc., etc., etc.

Neste pouco tempo que estou em POA não deu para conhecer a cidade totalmente, mas a região central que é onde vou estudar eu conheci bastante. Lembro-me de uma conversa com um pai de um amigo meu (ex-colega) a respeito da cidade e não foi muito longe do que ele disse. Porto Alegre é uma capital com “ares de interior”, seu centro contém vários prédios de construções antigas (é uma cidade mais velha), tem vários parques florestados e muitas praças espalhadas e como lado negativo eu apontaria as proximidades da rodoviária que me parece meio sujo, abandonado e perigoso.

A pergunta vinda principalmente dos araçuaienses é se estou sofrendo muito com o frio. Era o que eu imaginava ao vir para esta cidade também, mas até agora eu estou sofrendo mesmo é com o calor e com a falta de chuva que deixa o ar muito seco. Explico sempre que ainda estamos no verão e fui alertado que em POA fazia muito calor também, mas parece que as coisas estão mudando e já há certa mudança de clima no ar... Acalmem-se, não vai demorar muito para eu congelar por aqui e telefonar atônito sobre o clima hehe.

Sobre conhecer gente nova ainda não tive muitas oportunidades. Primeiro porque não sou tão expansivo e encarei um feriadão prolongado de carnaval que deve ter levado uns 70% dos habitantes da cidade da capital gaúcha rumo ao interior ou outros estados (principalmente as pessoas mais jovens). Troquei idéias com alguns transeuntes, mas foi só isso: acabada a conversa, foi cada um para o seu canto. A hora boa de conhecer novas pessoas e ter novas amizades será no início das aulas mesmo.

A última das perguntas é se estou gostando. É complicado dizer agora, foram muitas turbulências iniciais devido ao total desconhecimento da cidade e ao mesmo tempo o fascínio por estar descobrindo coisas novas ficam lado a lado. Acho que com o tempo estas duas coisas vão acabar e o que posso contar é que ainda tenho muitas expectativas agradáveis no que diz respeito a morar em Porto Alegre e acho que dificilmente serei desapontado. 

Rodei, rodei e não respondi a última pergunta? Quem sabe daqui a 1 ano ou 2 eu terei uma opinião formada. Hoje ainda vivo de expectativas e tenho muito o que desvendar nesta nova cidade e neste novo estado.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mudanças, perspectivas e novos desafios

Hoje acontece mais um dia de mudança em minha vida. Depois de partir do interior para estudar na capital do meu estado, eis que agora é hora de alçar vôos mais altos e sair de Minas Gerais e ir para outro estado de outra região.

Vai ser uma experiência e tanto. Trocar de cidade já é um choque no início, mas pelo menos eu tinha a segurança de ter parentes por perto e aos poucos o lugar não ficou muito estranho, pois é comum aos habitantes da minha cidade natal mudar para Belo Horizonte também.

O início foi morando com parentes na cidade de Betim de onde eu vim a terminar o ensino médio, as responsabilidades mudam, mas ainda está sob ares familiares. Depois veio a mudança para Belo Horizonte em virtude de a minha faculdade estar situada lá.

Foi outra mudança na vida já que agora eu iria aprender a conviver em repúblicas de estudante e as relações mudam. Não havia mais aquela segurança num lugar totalmente confiável e as responsabilidades aumentam e aprende-se a respeitar mais o espaço de cada um.

Passada essa fase foi chegada a hora de morar sozinho e aí “se vira” começa a ficar maior, mas ainda assim tinha a certeza de que qualquer coisa desse errado eu tinha para onde ir. Aprendi que ser responsável por si mesmo te torna bem mais responsável e maduro.

Agora vou mudar para um lugar ainda mais longe de onde nasci e ainda há uma mudança cultural muito maior do que até hoje eu experimentei. Também não tenho referências na cidade e vou ter que procurar fazer elas aos poucos.

Esta nova mudança traz algumas incertezas, mas também trazem a esperança de que aprenderei algo que me fará ser uma pessoa cada vez melhor com novas experiências. Viver e aprender nunca foram tão fortes na minha vida como nos últimos anos e agora a cidade de Porto Alegre passará a ser um novo destino.

Algo me diz que vou gostar muito desta nova morada, afinal escolhi ir para lá não só pela qualidade que eu espero encontrar na UFRGS, mas também pela qualidade de vida que espero ter na capital gaúcha.

Será meu destino final? Isto é uma coisa que hoje eu nunca vou saber, mas algo me diz que ainda terei novas experiências por outros lugares do Brasil ou do mundo...

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Mestrado Acadêmico

Algumas pessoas que acompanham meu blog viu que eu fiz um exame de seleção de mestrado para entrar no mestrado via ANPEC. Tive muitas dificuldades no tempo de estudo em razão de fatores externos, mas não desanimei e persisti com os estudos e conquistei a minha vaga no mestrado acadêmico.

Dentre as escolhas que me foram possíveis escolher, preferi o Programa de Pós-Graduação em Economia (PPGE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Foi uma escolha difícil porque tive boas opções, mas o que me atraiu lá além do programa levar mais para o lado quantitativo, o fato de morar em Porto Alegre me agradou bastante.

A visão que eu tenho desta cidade é de um lugar mais tranquilo e com pessoas com um nível de instrução e qualidade de vida melhores. Isto é o que sonho encontrar para poder enfim aproveitar meu potencial ao máximo. Não será nada fácil enfrentar um mestrado e espero mesmo que seja assim. Pode parecer que gosto de sofrimento, mas na verdade é que aprendi que o conhecimento só é verdadeiro quando se conquista com muito empenho. O que é fácil só engana! 

Pois bem, agora estou matriculado na PPGE/UFRGS no curso de Economia Aplicada. Uma nova fase vem aí e este ano ao que tudo indica, minha vida virtual vai ficar praticamente anulada em por causa do mestrado. Espero passar bem por esta fase e que aproveite tudo de bom que existe no curso da UFRGS, faça novas amizades para a vida e aproveite o que há melhor que Porto Alegre tem a me oferecer. Pode ser preciosismo, mas nunca é demais pedir né?!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Fim de férias em Araçuaí

Final de férias em Araçuaí! Que frase mais querida e melancólica ao mesmo tempo. Querida porque sempre é bom estar presente na minha cidade natal e poder rever minha família, amigos e fazer novas amizades também (por que não). Melancólica por ter que deixar tudo isso para trás e seguir meu destino novamente. Mas eu não reclamo, prefiro estar na situação que me encontro entre escolher ou não ficar do que ser obrigado a ficar ou a sair.

Estas férias foram muitos especiais pra mim. Foram diversos reencontros como a Festa de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos que há muitos anos eu não participava, poder participar das comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário que acompanhei por algum tempo enquanto era menino, voltar a lugares onde frequentei enquanto criança e encontrar com pessoas tão simples e receptivas com a gente, dançar o verdadeiro forró "da roça" e participar das festividades de final de ano com a minha família.

Estes meses passados em Araçuaí serviu para muita coisa. Pude finalmente sair mais e tentar me soltar e conhecer muitas pessoas diferentes do que estou acostumado. Dialogar naquele nível não foi fácil para alguém tão "nerd" como eu me tornei, mas foi proveitoso e apreciei bastante a situação. Cometi alguns abusos em relação ao meu modo de ser e vi que não adianta forçar algumas situações porque sempre vai dar errado comigo: não sou daquele tipo 'descolado' de ser e vou reconhecendo o terreno aos poucos. Uma ótima lição: não mude o que está bom e dando certo!

Conheci novos lugares, reconheci os velhos, assisti novos filmes, li novos livros, fiz novas conquistas e muitas outras coisas legais. É claro que nem tudo foi um mar de rosas e as turbulências fizeram parte e em um momento muito ruim. Achei mesmo que não ia superá-los e saí ferido e com algumas cicatrizes profundas. Faz parte! Agora é fazer as malas, levar as coisas boas e aprender com as ruins para continuar aperfeiçoando como pessoa. Sinto que Araçuaí vai ficar por um período um pouco maior como lembrança porque tenho planos de conhecer lugares totalmente novos e expandir um pouco minha fronteira de conhecimento. 

Voltar para a terra natal é sempre bom, mas há muito neste mundo para descobrir e nas próximas férias eu espero começar a explorá-lo um pouco mais. Vou sentir muito a falta de algumas pessoas, mas não se ganha nada sem abdicar de outra. É o famoso princípio da Ciência Econômica "As pessoas enfrentam tradeoffs". O que isto significa? Bom, isto significa que as pessoas enfrentam situações em que fazer uma escolha significa que você está abdicando de outra, não dá para escolher ambas. É este o processo decisório que enfrentamos frequentemente em nossas vidas...

Bom, agora que foi feita as malas vou partir para Belo Horizonte e fazer uma breve despedida por lá. Depois disso vou seguir para o meu novo destino que fica para um outro post. 

Como música tema de viagens eu gosto deste trecho de Ave Cantadeira do cantor Paulinho Pedra Azul:

"E lá vou eu nesta estrada
 Desafiando o coração
 Seguindo em prosa ou canção
 Feito uma ave cantadeira..."

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Abaixo-assinado contra o retorno da CPMF

Todos nós que estamos na "fase economicamente ativa" nos deparamos com uma das maiores cargas tributárias do mundo e sabemos que em sua maioria estes impostos arrecadados são utilizados de forma ineficiente por todas as esferas do governo (federal, estadual e municipal). 

Alguns impostos tem lá sua razão social e mesmo sob muita controvérsia são defendidos por alguma teoria econômica. Depois de ler uma mensagem compartilhada de um amigo a respeito de um post no blog do Adolfo Sachsida a respeito da volta da CPMF, não posso deixar de me manifestar contra a volta desse imposto.

A volta da CPMF seria um grande erro para o novo governo que está vindo e parece que algumas lideranças estão se articulando para poder abocanhar parte desse imposto para aumentarem seus gastos. É importante colocar que não é o partido A, B ou C que interessa a volta desse imposto, mas sim aqueles que ganharam suas eleições e visam aumentarem a participação do governo na economia, ou seja, praticamente todos. A velha desculpa de que sua arrecadação é para gastos com saúde (como se este imposto fosse vinculado...).

Este é um exemplo de imposto que entre economistas não há divergências: a CPMF é comprovadamente um imposto que distorce os incentivos econômicos na busca pela eficiência, aumenta as taxas de juros reais, causa desintermediação (menor uso de intermediários financeiros nas transações, ou seja, os bancos) e iliquidez (baixa circulação do dinheiro ou outros ativos financeiros). A CPMF é um exemplo de mau imposto e faz mal a todos nós.

Como exemplo do que estou colocando, veja este pequeno artigo do Pedro Albuquerque em que ele resume seu estudo em relação aos efeitos econômicos da CPMF aqui.
Quem quiser consulte o artigo completo aqui

Então, não vire as costas para a volta deste imposto que por muito tempo assolou nossa economia nos mais diferentes governos.
Veja o abaixo assinado

p.s. Não tenho nada a ver com o movimento, mas essa causa é válida.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Será um adeus?

Depois de muito tempo vivendo na capital mineira, acho que chegou a hora de dizer adeus. Foram um pouco mais de 4 anos morando em Belo Horizonte e 2 anos em Betim que me renderam muita experiência de vida e conhecimento.

Achei a experiência muito válida. Foi um novo mundo que passei a conhecer e a fazer parte dele e saio com a sensação de que fiz meu dever melhor do que eu esperava. Nova vida, novos amigos, novos colegas, nova realidade e tudo o mais que experimentei nestes anos me deixaram mais forte e confiante para seguir em frente até meu objetivo final.

Hoje (depois de muito adiar) chegou o dia de voltar às minhas origens e retornar para a minha família e a cidade onde nasci com muita experiência e história para contar, e uma história que deu certo apesar do medo e indecisão inicial.

Saio de BH considerando esta cidade como uma das "queridas" por mim e apesar de ter passado por muita coisa ruim, não chega nem perto das conquistas e da convivência com um pessoal extraordinário que sempre me acolheu bem. 

Este pode ser uma adeus como morador, mas nunca deixarei de passar por esta cidade onde criei e cultivei boas raízes. Adeus ou até breve BH!

Visão da praça do papa


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Descanse em paz bivó...

Hoje recebi uma notícia que abalou meu coração. Sofri a perda do ente da família por parte de pai que eu mais me identificava. Dona Helena, minha bisavó, faleceu neste último domingo e pude notar, mesmo a quilômetros, seu significado que ela tem em nossa família, na sua cidade e em todo Vale do Jequitinhonha.

Comigo ficará marcado seu caráter acolhedor com qualquer membro, vindo de onde vier. Pode parecer estranho, mas é muita gente com o sangue dos "Helena" (mais característico que o sobrenome) e muitos desarraigados apareciam como eu apareciam por lá para conhecê-la e ela acolhe a todos com o mesmo carinho dos que ela conhece e estão sempre presentes.

Lembro-me das visitas constantes quando ainda era uma criança bem pequenina e ia lá cumprimentá-la, ia para o quintal ou "terreiro" buscar frutas e voltava para conversar e ouvir histórias. Por não ter muito contato com minha família por parte de pai eu fiquei meio afastado assim que minha "ponte" até a casa dela mudou de cidade e fui afastando um pouco e só voltei a me aproximar novamente há poucos anos, mas felizmente vi que as coisas não mudaram. Continuava a mesma figura de sempre...

Mas D. Helena não representa muito só para mim. Além de ser uma das primeiras moradoras e talvez a maior "povoadora" da cidade (é fácil encontrar parentes), ela tem uma importância tremenda dentro da cidade. Foi uma das que lutaram pela expressão política e cultural do de Araçuaí e consequentemente de todo o Vale do Jequitinhonha, sendo uma figura amplamente conhecida nos meios culturais por lá. Desconheço quem não conhece D. Helena do "Arraial dos Crioulos" naquele canto (até um presidente foi visitá-la).

Minha bisavó tem uma história muito bacana de luta e conquistas e era tremendamente prazeroso ter uma matriarca da família assim, invejada e respeitada por todos. Vai ficar muita saudade, mas uma saudade boa pelo espaço de tempo que convivi com ela. Por menor que tenha sido, foi extremamente prazeroso.

Descanse em paz minha querida bisavó, mulher batalhadora, corajosa e ao mesmo tempo doce e singela. Tens um legado importante de vários filhos, netos, bisnetos (como eu) e tataranetos que nunca vão deixar esquecê-la. Não só pela sua importância, mas principalmente pelo caráter. O que você fez em vida soará   na eternidade...

Saudades eternas! 

Dona Helena e Seu Tião - Bodas de ouro em 1992

sábado, 23 de outubro de 2010

Lá se foram seis anos...

Quem hoje não mora mais na sua cidade natal por diversos motivos tem na sua memória o derradeiro dia do adeus. Por mais que a gente saiba que é o melhor que tem que se fazer, já arruma as malas convicto de que será melhor assim, pois uma vida melhor o aguarda, na hora da partida eu duvido que uma pessoa não tenha experimentado aquela sensação de quase arrependimento na hora exata que o motorista dá a partida...

Pois bem, queria deixar um post aqui no dia 14 de outubro deste ano. Neste dia fez exatamente 6 anos que saí de casa. Se existem dias que marcam a vida da gente, esse é um dos que jamais esquecerei...

Já era partida mais que anunciada. Um dos meus tios teve a idéia de fazer com que eu partisse bem cedo de casa para estudar numa escola muito bem conceituada na cidade de Viçosa (o COLUNI). Tinha que fazer uma prova, passar e arrumar as malas e ter um ensino num nível muito mais alto que minha cidade poderia oferecer.

Tudo bem, mas acontece que eu tinha somente 14 anos e ele que morava lá, ia partir no ano da minha então entrada. Pensei bem sobre o assunto e resolvi estudar para passar nesta prova, mas na hora de fazer inscrição eu não consegui imaginar fora da minha cidade naquela época.

Acabei adiando tudo, queria aproveitar mais dos meus dias na minha cidade e principalmente com minha família. Era muito cedo para sair assim de uma estrutura familiar. O preço eu paguei, mas mesmo assim considero os benefícios daqueles anos vividos em casa insuperáveis.

Mas o meu destino não era viver para sempre na minha cidade. Sempre soube disso e cada vez que o tempo avançava, sentia que mais perto estava da hora de ir embora. Neste meio tempo eu achava estranho, não consegui me imaginar longe de minha família e olhe que tem muita gente que vive para sempre no mesmo lugar de onde nasceu.

A diferença era que pra mim, novos objetivos estavam chegando e tomando conta da minha cabeça. Araçuaí ficara então pequena para o que eu queria fazer e novamente surge outra oportunidade para estudar fora, só que desta vez eu estava próximo de terminar o ensino médio.

A conversa era de ir durante o meio do ano para a casa de minha tia e estudar mais forte para os vestibulares do final de ano. Estava quase tudo certo, mas na hora eu dei uma amolecida e acabei adiando outra vez. O tempo passava e a conversa continuava viva até o momento que eu percebi que teria que sair antes dos meus planos que eram para o fim do ano.

Falei com minha mãe que queria sair, avisei meu tio que ia conversar com minha tia e depois ficou tudo acertado. Minha partida já tinha data marcada e procurava disfarçar um pouco isto com meus amigos para não senti remorso.

Este ano foi o ano que eu mais aproveitei naquela cidade. Visitei diversos lugares que nunca tinha ido, saí para tudo quanto é tipo de festa que me chamavam, fiquei mais extrovertido nos eventos que estava presente, procurei fazer amizades mais facilmente e fiz algumas coisas que quem que conhecera até então jamais poderia imaginar... Fiz tudo o que tinha vontade de fazer!

Mas chegou então o dia 14 de outubro de 2004. Acordei muito pensativo neste dia, parecia que meu corpo não queria ir. Visitei alguns amigos, fui à casa de alguns parentes, fiquei mais tempo em casa (parece contraditório) e parecia que ia me despedi de minha mãe e irmãos para sempre. Na verdade para sempre não era, mas as coisas nunca mais voltariam a ser como antes e parecia que eu já sabia...

O tempo foi passando e comecei a arrumar minhas malas. Parecia que aquele momento não teria fim. Não que fosse muita coisa para levar, mas minha cabeça estava imersa em pensamentos e cada movimento tornava-se mais vagaroso.

Mas a hora chegou e parti com minha mãe e irmã me acompanhando até o local de partida. Cheguei lá e aconteceu uma coisa estranha, não conseguia achar o bilhete da passagem. Claro que não fiz isto por querer, mas poderia adiar ainda mais a minha partida.

Porém, uma idéia veio na minha cabeça e perguntei ao motorista se ele tinha o número da mulher que eu peguei a passagem e como ele disse que sim, pedi para que ligasse e confirmasse meu nome na lista dos que iam sair para Belo Horizonte. Ele fez o que pedi e ficou tudo certo (e o pior é que depois descobri a passagem dentro de um de meus bolsos).

O ruim disto tudo é que com a aflição que me abatera eu não pude despedir direito e somente dei um abraço na minha mãe e irmã e tive que entrar no ônibus, já era hora da partida.

Até aí tudo bem, estava partindo com o coração meio pesado, mas a situação estava mais sob controle do que imaginei. Isto acabou quando o motorista ligou o ônibus e deu a partida. Meu coração gelou, olhei para a janela para dá uma última olhada na minha mãe e irmã e vi minha irmã chorando...

Tinha prometido que por mais triste que eu saísse, não ia chorar. Mas não teve jeito a cena é de arrebentar o coração e para não ficar mais emocionada, saí da janela e virei para frente. Depois de distanciar do lugar eu voltei a ter coragem de olhar pela janela de novo e via cada ponto de minha cidade sendo deixado para trás. Quando tudo começava a sumir de minha vista eu fiquei imaginando todos os momentos que vivera ali...

“E lá vou nesta estrada!” 
Gontijo: Viação Araçuaí x Belo Horizonte
"I miss that town
I can't believe it
So hard to stay
Too hard to leave it"

domingo, 3 de outubro de 2010

O que me falta fazer?

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar. Já quis ser jogador de futebol, astronauta, mágico, pescador, músico e agricultor. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já chorei ouvindo música. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que elas são difíceis de esquecer. Já subi em árvore pra roubar fruta por diversas vezes. Já caí de uma árvore. Já atravessei um rio a nado. Já matei aula. Já assinei o famoso livro de ocorrências. Já fui suspenso da escola. Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já participei de cantigas de roda. Já pulei amarelinha. Já brinquei de china (ou bolinha de gude em outros lugares). Já soltei raia (papagaio em outros lugares). Já pulei fogueira. Já dancei quadrilha. Já tive ressaca. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já fiquei a observar os primeiros e os últimos raios de sol. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro. Já tremi de nervoso. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Já perdi pessoas especiais para sempre.Já tive sonhos que se realizaram. Já fiz coisas impensáveis.

O que me falta fazer então?

*Como diria o Cérebro ao Pink:
- Eu quero dominar o mundo! :-) :-) :-)