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sábado, 30 de outubro de 2010

Você quer estar no comando da política monetária?

Hoje eu lembrei de uma mensagem muita interessantes entre muitas outras que eu recebia quando era um membro do Nepom. O Nepom para quem não conhece é um grupo de estudantes que estuda a política monetária e seus desdobramentos na economia brasileira. Quem preferir conhecer melhor visite este link aqui.

Voltando ao assunto, recebi um e-mail de um dos membros do Nepom com a seguinte pergunta: Quer ser o presidente de um banco central por um dia? Achei estranho e resolvi dar uma olhada e deparei com um link que dava na página do Fed (Federal Reserve System) com o nome Fed Chairman Game.

Este jogo foi feito pelo Fed de São Francisco e serve para estudantes de Economia e mesmo os leigos tomarem o posto de presidente do Banco Central e tomar sérias decisões à respeito da política monetária e suas consequência na economia local neste simulador.

Para quem for leigo em economia, antes de começar o jogo é bom ir na guia "Learn more" e de lá você será endereçado à uma página que te instrui melhor sobre o qual é a função da política monetária e como a sua decisão de mudar a taxa de juros em alguns pontos percentuais (os famosos p.p.) afeta toda a economia.

Para resumir um pouco para quem não conhece bem o inglês ou pior ainda, o "inglês economês", aqui vai um pouco do que é importante no jogo. "Um aumento dos juros combate a inflação mas aumenta o desemprego. Queda dos juros aumenta inflação mas reduz desemprego." Mas não é assim tão fácil, assim como na economia real, neste jogo você será confrontado com situações difíceis e às vezes contraditórias quanto a adoção da política monetária (restritiva ou expansionista). São os famosos choques negativos  de oferta e de demanda que exigem uma destreza maior do comandante da política monetária. 

Assim como qualquer pessoa ou empresa o Banco central tem uma meta que no caso é a de inflação, mas para isto tem que manter baixa a taxa de desemprego, ou seja, manter a economia crescendo de maneira estável. Se você não der conta de manter a inflação dentro da meta estabelecida e/ou a taxa de desemprego igual a natural, você será fatalmente demitido.

Você será desafiado a se comportar como um economista de verdade e a usar suas habilidades para conduzir a política econômica do país. Sinta-se como se estivesse no lugar do Henrique Meirelles e veja como é importante determinar a meta da taxa Selic durante as reuniões do Comitê de Política Monetária (COPOM).

Leia minha mensagem assim que descobri o site e "tentei a sorte" neste joguinho:
"Fiz o teste e pelo visto parece que eu tenho uma maior "aversão a inflação"!
Na primeira tentativa fui demitido por causa da deflação (e em outras também), mas na maioria eu saí bem, venci o jogo e continuei no comando da política monetária hehe!
Ótimo joguinho."

E você? Quer ser o presidente do Banco Central por um dia?
Teste sua capacidade e sinta-se um Economista!


Tentativa frustrada 

Tentativa realizada com sucesso

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Copom mantém taxa Selic em 10,75% ao ano

Em nova reunião nesta quarta-feira, 20 de outubro de 2010, os membros do Copom (Comitê de Política Monetária) decidiram por unanimidade manter a meta para a taxa Selic em 10,75% a.a.

Comunicado oficial no site do Banco Central do Brasil:
"Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés."

E os membros do Nepom mais uma vez se anteciparam bem a decisão do comitê numa apresentação nesta última segunda-feira, prevendo com o modelo econométrico Probit a manutenção da Selic em 10,75% a.a. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A Selic e sua importância para a economia brasileira

Quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil (Copom) se reúne para decidir uma meta para a taxa Selic, todos no mercado ficam apreensivos a respeito da decisão de subir, reduzir ou manter estável a Selic até a próxima reunião do comitê.

Os jornais dão maiores ênfase a esta taxa e tanto os especialistas no assunto quanto os leigos passam a dar maior importância a Selic nestes dias. Não é para menos, é através desta taxa que o Copom “controla” a inflação, atividade econômica, crédito e outras variáveis cruciais que impactam no futuro do país e no nosso bem-estar.

Passada a reunião a Selic fica meio que esquecida do cotidiano das pessoas comuns e talvez devido a esta sazonalidade, poucas pessoas compreendem efetivamente o significado que uma decisão do Copom acerca da Selic afeta o dia-a-dia de cada um deles.

A Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia) é a nossa taxa de juros básica da economia e serve de referência nos contratos entre poupadores e tomadores de empréstimo. É a taxa de financiamento no mercado interbancário para operações de um dia, ou overnight, que possuem lastro em títulos públicos federais e são negociados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia.

Por ser uma taxa lastreada em títulos públicos e de curtíssimo prazo, a Selic acaba refletindo o risco do governo, que é mínimo, e serve como base para as outras taxas que os bancos aceitam receber como remuneração do seu capital. Como os bancos são majoritariamente os intermediários entre poupadores e tomadores de recursos, a Selic também serve como a taxa básica para toda a economia. 

A razão é simples, numa operação em que um tomador aceita pagar uma taxa menor ou igual à Selic, seria melhor aplicar o dinheiro em títulos públicos (que pagam aproximadamente o mesmo que a Selic e é livre de risco) do que emprestar o dinheiro num negócio que pagaria a mesma taxa (ou aproximadamente), mas que o tomador corre os riscos inerentes ao negócio e pode vir a não poder honrar o compromisso.

Então, quando dizemos que a Selic serve como a taxa básica de juros, o motivo está na sua concepção de ser uma taxa amplamente usada e livre de risco. Logo, a remuneração que qualquer emprestador de última instância irá requerer do seu capital, equivale à taxa Selic mais o risco que o tomador tem de não poder pagar pelo empréstimo.

É através deste mecanismo de “contaminação” dos juros que a Selic é tão crucial nas nossas vidas. Com a Selic num patamar baixo, o custo do empréstimo fica mais barato e tanto as firmas quanto os indivíduos tendem a contrair mais empréstimos. No caso das firmas elas podem expandir a capacidade instalada, investir em novos negócios e investir em novos equipamentos e os indivíduos contraem mais empréstimos para adquirir bens e serviços. 

O efeito de um corte na Selic é evidentemente expansivo para a economia, mas tem que se tomar cuidado com esses efeitos. Se a atividade econômica situa-se no pleno emprego (situação em que todos os fatores de produção estão plenamente empregados) ou acima dele, um corte na Selic terá efeitos inflacionários. 

A razão disso é que as firmas estarão produzindo na sua capacidade máxima e com a facilidade de crédito, a demanda por produtos e serviços mantém-se alta e as firmas sobem os preços para ajustarem-se a nova quantidade demandada em virtude do superaquecimento da economia. 

Este efeito pode durar muito tempo se a economia continuar superaquecida e estaremos assim numa economia que toda a expansão do crédito poderá refletir-se em aumentos de preços. Inflação alta e persistente corrói o sistema de preços e causa instabilidade econômica, como aprendemos durante um longo tempo da história deste país e sabendo disso será prudente que o Copom opte por aumentar a Selic.

O aumento da Selic terá efeito contrário a uma expansão, mas se a atividade econômica estiver acima da de pleno emprego, este aumento do custo do empréstimo poderá ter efeitos benéficos ao diminuir o ritmo de expansão do dinheiro e fazendo com que a economia volte ao nível de pleno emprego (que é o máximo sustentável que se pode alcançar).

Logo, aumentar ou reduzir a nossa taxa básica de juros terá efeitos importantes sobre a atividade econômica e consequentemente sobre o presente e futuro de cada habitante deste país ao determinar o nível de emprego/desemprego. É claro que se a taxa vigente for àquela condizente com o pleno emprego, o Copom poderá decidir sobre a manutenção da Selic ao nível atual.       

Com este texto simples e mesmo que incompleto eu quis passar um pouco da importância que a decisão desta semana do Copom sobre a meta da taxa Selic terá sobre as nossas vidas. Espero que tenha clareado um pouco sobre este assunto “obscuro” que não é tratado com a devida importância pelos nossos meios de comunicação.     

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Nova apresentação do NEPOM

Hoje, dia 18 de outubro de 2010, temos uma nova reunião do NEPOM (Núcleo de Estudos em Política Monetária) às 19:00 h. O NEPOM é um grupo de alunos do Ibmec de Minas Gerais que através de um estudo prévio e com ferramentas estatísticas; procura antever a decisão do COPOM (Comitê de Política Monetária) acerca do novo patamar da SELIC (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).

Sempre às segundas-feiras antes das reuniões do Copom que acontecem nas quartas e quitas-feitas é elaborada uma apresentação dos membros do Nepom em que é apresentada a conjuntura econômica atual segundo cada tema na apresentação. 

Os temas são Inflação, Crédito e Open Market, Atividade Econômica e Mercado de Trabalho, Comércio Exterior, Ambiente Externo, Setor Governamental e depois destas apresentações, a Previsão.

Tudo é feito para que o público presente que seja leigo no assunto aprenda como é que o Copom fundamenta sua decisão acerca da SELIC, ou seja, através do monitoramento contínuo do ambiente interno e externo. É a partir da observação do cenário interno e externo que os membros do Nepom fundamentam o resultado do modelo.

Já fiz parte deste grupo e garanto que foi uma das melhores experiências que tive na vida. Minhas apresentações foram nas áreas de Crédito, Inflação e Comércio Exterior. Aprendi a acompanhar as notícias referentes à economia com uma visão bem mais crítica e menos passiva do que era antes e fazer uma apresentação que era destinada a tudo quanto é tipo de público foi enriquecedor.

O convívio e a troca de experiências com os alunos que fizeram parte do grupo enquanto eu fazia parte deste grupo foi maravilhoso. Todos eram muito inteligentes e qualquer problema que você tivesse com algum conceito ou coleta de dados, era só pedir ajuda dos mais experientes (do qual fiz parte depois) ou então ir direto ao nosso coordenador.

Quem tiver um espaço na sua agenda nesta segunda-feira às 19h00min eu garanto que não vão se arrepender de ir ver a apresentação do Nepom. Por um lado o rumo da taxa SELIC é muito importante para estabilizar a economia e depois desta reunião você saberá muito mais da importância da SELIC (o que pouca gente sabe). Por outro lado a apresentação sobre a conjuntura econômica geral é uma verdadeira aula de economia dada por alguns poucos, mas dedicados estudantes de Ciências Econômicas do IBMEC-MG.

Quem não puder ir, peço que entre na página do Nepom e veja lá as apresentações que serão feitas antes das reuniões do Copom. Sempre há apresentações quando as reuniões estão dentro do período letivo dos alunos, então se agende e sempre que souber de uma reunião do Copom, veja se haverá uma apresentação do Nepom para se manter mais informado. 

Local: Rua Rio Grande do Norte, 300 - Santa Efigênia
Belo Horizonte - MG, 30130-130 [visualize aqui]
Horário: 19 às 20 h
Procurar informações na portaria.