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sábado, 1 de março de 2014

Onde foi que eu errei?

Depois de entrar na pós-graduação em Economia fui introduzido nas ferramentas de análise matemática que servem sobretudo para auxiliar nas demonstrações de teoremas. De tanto penar para tentar aprender esta técnica e enfim estar preparados para provar os principais teoremas da ciência econômica, eis que me pego a errar um resultado em uma prova. Quase fui ao desespero, pois pensei ter demonstrado o resultado mas o professor apontou alguns errinhos na demonstração e fiquei a pensar num diálogo inspirado numa música da dupla sertaneja Leandro & Leonardo que lembrava minha situação. Onde foi que eu errei professor?

Onde foi que eu errei?

O que foi que fiz?

Eu preciso saber…

Não deixei de demonstrar

Não inventei nem omiti

Não pulei qualquer resultado…

Me ajude eu não posso aceitar que errei

Sem saber a razão…

Muito hilário a situação, fazer uma prova e não saber se a maneira que fez foi a correta, afinal existem várias formas de desenvolver uma demonstração. Mas ainda há esperança, um dia vou dominar esta técnica...
Segue o vídeo da música que me inspirou rsrs


quarta-feira, 30 de março de 2011

Zé Ramalho em Araçuaí

Para quem gosta de uma boa MPB com alguns requintes regionais, vai haver na cidade de Araçuaí um show com o cantor e compositor Zé Ramalho no dia 1º de abril (não é mentira rsrs). Suas melodias com traços ao mesmo tempo nordestino e mundial ainda fazem muito sucesso em shows com músicas ao vivo em bares e restaurantes do Brasil inteiro.

Será a hora de Araçuaí conhecer o verdadeiro talento deste cancioneiro da cultura brasileira e experimentar outras formas de cultura do que a habitual que sempre ocorre na cidade. Infelizmente ficarei de fora dessa devido a distância, mas se tivesse lá não perderia. Vai ser mais um ganho cultural para cidade e todo o Vale do Jequitinhonha. 

Parabéns aos organizadores do evento pela idéia!

Fonte: Kiau Serviços

domingo, 26 de dezembro de 2010

Josino Medina nas comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário

As comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário tiveram diversas apresentações com grupos e artistas populares numa sexta-feira do dia 17 de dezembro no Centro Cultural Luz da Lua que junto com o Coral Nossa Senhora do Rosário fizeram um excelente espetáculo para o público presente e pelo menos desta vez eu não perdi um grande evento na cidade.

Dentre estas apresentações, teve a do cantor e compositor Josino Medina que é bem conhecido na cidade e em toda a região pela sua cantoria e suas canções populares retratando a cultura de todo o Vale do Jequitinhonha. A apresentação deste cancioneiro do Vale merece destaque e para quem não conhece a melodia deste artista do Jequitinhonha, vale a pena dá uma olhada neste vídeo onde ele faz sua participação no evento.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Coral Araras Grandes nas comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário

Como último vídeo a destacar das comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário da cidade de Araçuaí, estou postando a apresentação do Coral Araras Grandes que também apresentou de forma brilhante no evento ocorrido no dia 17 de dezembro no Centro Cultural Luz da Lua.

Cada participante tinha direito a cantar duas músicas e uma das escolhidas pelo coral foi a música "Engenho Novo". Esta música faz parte do CD Engenho Novo lançado pelo coral no ano de 2007. A apresentação em si foi muito boa e vale parar um pouquinho do seu tempo e contemplar esta grande exibição.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Comemoração 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário

Convite,

“O Coral Nossa Senhora do Rosário completa neste ano “Bodas de Prata”, 25 anos de existência. É um momento especial para nós do movimento cultural e queremos ter você também comemorando conosco. Essa conquista é de todos nós. Sentiremos imensa satisfação se pudermos contar com a sua presença.”

Neste próximo final de semana, nos dias 17, 18 e 19 de dezembro estará acontecendo as comemorações dos 25 anos do Coral Nossa Senhora do Rosário. Este grupo é formado por moradores da cidade de Araçuaí, no médio Jequitinhonha, que dão vida através da música a várias cantigas do “povo do Jequitinhonha” recolhidas pelo coral para resgatar e fazer com que nunca se perca as canções tradicionais de sua terra.

Particularmente acompanhei uma boa parte do trajeto desse coral enquanto ainda era menino e tinha que ir com minhas tias em todos os ensaios deste grupo. Foi uma época muito boa e de lá eu fui aprendendo a importância e o valor dos diversos grupos culturais espalhados por minha cidade e pelo mundo.

O repertório do Coral Nossa Senhora do Rosário é composto principalmente de músicas regionais recolhidas pelos seus integrantes, algumas músicas consagradas do cântico popular e músicas religiosas. Algumas canções mais conhecidas do coral como “Queremos Navegar”, “Mágoa de Canoeiro”, “Senhora do Rosário” e “Beira-mar de Leonora” vão ser cantadas nas celebrações e é uma boa oportunidade para quem não conhece o trabalho, ver de perto o trabalho deste grupo.

Pelo meu lado vai ser um imenso prazer rever um coral que eu acompanhei durante uma boa parte da minha vida e que meus familiares contribuíram com suas músicas e para que ele existisse e se perpetuasse. Apesar da tradicional falta de apoio aos movimentos populares na região, este grupo persiste e está comemorando sua “Bodas de Prata” e nos convida a participar deste momento.

Sou presença confirmada durante os três dias de comemorações e espero que lá estejam os bons apreciadores da nossa cultura popular prestigiando este evento. Conto com a sua participação, venha prestigiar este coral! O local dos eventos será na cidade de Araçuaí, sede do grupo, no Vale do Jequitinhonha. Para mais detalhes sobre o coral e a programação do evento, clique na imagem abaixo.

Parabéns ao Coral Nossa Senhora do Rosário pelos seus 25 anos de existência!

Clique na imagem para ampliar

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

II Caravana Teatral do Vale do Jequitinhonha

A partir de amanhã, estará acontecendo na cidade de Araçuaí a segunda caravana teatral do Vale do Jequitinhonha nos dias 13, 14 e 15 deste mês, ou seja, neste final de semana e na segunda-feira. Serão três dias de teatro, músicas, poesias e outras manifestações culturais.

Haverá apresentações de grupos teatrais, músicos, corais, danças, recital de poesias, debates, lançamento de CD's, livros, entre outras atividades. As apresentações culturais serão realizadas nas ruas, praças, Labirinto Cultural, Colégio Nazareth, Lua da Lua e no povoado de Engenheiro Schnoor.

Será uma ótima oportunidade para os amantes da boa cultura acompanharem este evento que conta com a participação de grupos culturais de várias cidades da mesorregião do Vale do Jequitinhonha como Araçuaí, Virgem da Lapa, Coronel Murta, Itaobim, Medina, Comercinho, Jequitinhonha, Padre Paraíso e Capelinha; e de outras cidades como Teófilo Otoni, São Paulo e Eunápolis.

Para uma região que emana cultura e cobra bastante o apoio as entidades culturais, esta é a oportunidade de mostrar que sabem produzir e organizar um bom evento em suas cidades e espero que o público aprecie as exibições. Como gosto de teatro e outras manifestações culturais, é certo que estarei lá prestigiando a maioria dos eventos.

A abertura oficial será no sábado, dia 13 de novembro, às 9 horas no Colégio Nazareth.

Informações com: 
(33) 9139-2645 com Luciano Silveira
(33) 9904-8681 com Cassilene
(33) 9903-3198 com Lorenza
email: silveira-luciano@bol.com.br


Clique na imagem para ver a programação

Veja algumas fotos do evento:
Abertura no auditório do Colégio Nazareth

Apresentação no Colégio Nazareth

Apresentação 

Apresentação no auditório do Colégio Nazareth

Apresentação no Luz da Lua

Teatro nas ruas

Labirinto Cultural

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Jequitivale, uma canção do Vale do Jequitinhonha

Neste post eu vou discutir uma das músicas mais aclamadas pelos "filhos do Jequitinhonha" e pelas pessoas que admiram o Vale do Jequitinhonha. Trata-se da música Jequitivale, escrita pelo cantor e compositor nascido em Minas Novas - MG (cidade do Vale do Jequitinhonha) Mark Gladston Nunes e Sousa, o Verono. Esta música está contida no CD intitulado "Divera", lançado em 2005.

Este cantor que poderia ser um dos maiores expoentes do Vale morreu num trágico acidente de carro na cidade de Virgem da Lapa com apenas 26 anos. depois de ter realizado um show na cidade. Mas nada de lamento neste post, pois este pacato músico mineiro deixou lindas canções que ecoarão na eternidade, fazendo-o imortal.

Jequitivale é uma canção que caiu inteiramente no gosto de todos os habitantes e por aqueles que viveram ou passaram pelo Vale do Jequitinhonha. A razão para isto ter acontecido é que esta música retrata de uma forma pura e simples o amor que este compositor tem por sua região. A letra também retrata muito bem o cotidiano dos habitantes do Vale e cada passagem desta canção nos remete um pouco ao "jeito Vale de viver".

A música começa descrevendo o habitante típico do Jequitinhonha ao dizer "Você que anda com o pé rachado e com a palha atrás da orelha". Este é aquele cidadão típico que mora em pequenas cidades e vilarejos meio que "distantes da civilização" ou da modernidade. Isto é uma parte marcante nas regiões com a economia pequena e basicamente rural. Este cidadão que anda com o pé rachado, ou seja, descalço ou com calçado que mal lhe cobre o pé e com o velho cigarro de palha na orelha são os habitantes mais velhos que ainda trazem consigo as características e o modo de viver de seus pais, avós, bisavós, etc.

A canção continua na mesma estrofe dizendo assim "Com a aba do chapéu na testa e se vira da noite pro dia". Esta parte da música continua chamando a atenção para a descrição dos cidadãos do Vale ao colocar outras caracteríticas pertencentes a muitos habitantes desta mesorregião mineira. A parte "se vira da noite pro dia" ainda é um desafio para descrever, pois não sei se é simplesmente mais algo para demonstrar o cotidiano (acho mais plausível) ou se denota preocupação (o que não seria um traço caracterítico...).

Depois da primeira estrofe ele começa com "Você que banha no Fanado e que tira ouro de bateia". Aí entra outra característica arraigada em todo Vale do Jequitinhonha, o costume de banhar (tomar banho ou nadar) em algum dos diversos rios ou ribeirões que banham este Vale. Mas não é só isto que talvez esta parte quis buscar, tem também o aspecto que boa parte da vida dum cidadão do Vale é vivida na beira de um rio. Atividades como brincar, tomar banho, lavar roupas e vasilhas, pescar e muito mais coisas fazem dos habitantes do Vale verdadeiros peixes e quem sai de lá sempre sente saudade daquele rio ou ribeirão que passava perto de sua casa... No caso específico ele está falando sobre o Rio Fanado que é um dos rios que banha a sua cidade e que ele deve ter usufruído.

Há que se notar também uma característica posta na letra da música que é a forma que muitos habitantes até hoje procuram metais. Tirar ouro de bateia é um modo primitivo de se extrair ouro dos ribeirões e era assim que antigamente extraía ouro do Brasil a mando da coroa portuguesa. Os rios do Vale do Jequitinhonha eram rios que se podiam encontrar diversos metais preciosos, inclusive o ouro, trazendo diversos pessoas para o seu garimpo em busca de riqueza. Tem-se daí o começo da povoação do Vale pelos europeus e a busca por metais preciosas nos moldes antigos ainda persiste em alguns habitantes ribeirinhos nesta região.

Na terceira estrofe o autor coloca "Desculpe seu doutor mas receba os cumprimentos meus" "Eu fico com a filosofia do mestre João de Deus". Nesta estrofe podemos notar o jeito simples do cidadão do Vale no modo de se expressar com os outros e que prefere o simples ao complexo. Não sei quem é João de Deus, mas deve ser mais uma daquelas pessoas com idade avançada e com muita experiência para passar aos jovens. É comum ter nestas cidades alguma pessoa com mais idade que saiba se expressar sabiamente com a população e tem o respeito de todos, tendo assim uma garnde influência na população.

A quarta estrofe descreve o seguinte: "A saudade me maltrada e me faz olhar no calendário" "Pra ver se faltam poucos dias pra ouvir o tambor do rosário". Esta parte é a que chama a atenção de todos "filhos do Jequitinhonha", mas que por diversos motivos saíram do Vale em busca de novas conquistas. Vê-se o autor descrevendo uma festa que é a mais popular na sua cidade e que ele deveria gostar muito. Em cada cidade do Vale do Jequitinhonha tem pelo menos uma grande festa que é normalmente um evento cultural e/ou religioso (não sei se dá para separar as duas coisas) e que atrai diversos turistas e àqueles que nasceram e cresceram nestas cidades. As festas populares do Vale é uma oportunidade e convite para todos aqueles que se ausentaram de sua terra natal voltarem as suas raízes.

Outras coisa que vale a pena notar é a herança cultural vinda principalmente da cultura indígena e africana. Quem conhece o Vale vê que sua gente é em sua maioria cafuza, ou seja, mistura de negro com índio. A razão disso é que os povos indígenas do Vale do Jequitinhonha não aceitaram pacificamente a dominação portuguesa e resistiram bravamente para ficar na sua terra e muitos negros fugiam da escravidão e formaram quilombos ou pequenos vilarejos pelo Vale. Nota-se então uma grande presença da cultura negra e indígena na região junto com a religiosidade também marcante no Vale.

Por último e para fechar esta maravilhosa canção ele canta o seu amor pelo Vale num refrão que é hoje o mais cantado nas festas e reuniões do povo deste lugar:

"Vale que vale cantar
 Vale que vale viver
 Vale do Jequitinhonha
 Vale eu amo você"

Dizer o quê deste refrão? Para quem nasceu no Vale do Jequitinhonha ele é auto-explicativo, mas para aqueles que nasceram em outros lugares e veio parar aqui eu digo que este refrão demonstra o carinho e consideração que todas as pessoas que vivem neste lugar ou que nasceram e não moram mais lá e também aqueles que não estão nestas duas hipóteses principais, mas que de alguma maneira admiram este lugar.

Foi um grande presente que o Verono nos deixou e quem ainda não conhece esta canção ou simplesmente não cansa de ouvir. Estou disponibilizando o vídeo abaixo de um dos shows que Verono fez cantando esta música. Ouça, duvido que não vão gostar...


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Começa o Festival da Canção do 28° FESTIVALE

Hoje no 5° dia do FESTIVALE, começa o evento mais esperado por grande parte do público presente nas diversas edições do FESTIVALE. Este evento é o Festival da Canção que está programado para começar as 21:00 horas na praça Águas Marinhas na cidade de Padre Paraíso.

O Festival da Canção consiste em selecionar as melhores canções dos músicos do Vale do Jequitinhonha para disputar o prêmio de melhor música nas diversas edições do FESTIVALE. Esta é uma oportunidade para lançar os cantores do Jequitinhonha no cenário nacional e só como exemplo, a primeira música foi Ave Cantadeira interpretada pelo músico Paulinho Pedra Azul em 1980 na cidade de Itaobim.

Segue a programação deste evento encontrado no site da FECAJE,

Quinta-feira - dia 29 de Julho

1. Faces de Amor - Ity j. Bell (Turmalina)
2. Desventuras do Amor - Raphael Rocha (Teófilo Otoni)
3. Samba da Saudade - Música de Beto Durães - Interpretação de Karla Soares (Salinas)
4. Bicho Voador - Osmar Lins (Minas Novas)
5. Tocaia - Paulinho Medina (Medina)
6. Rei do Catira - Valdo da Viola - (Araçuaí)
7. Vida de Cantador - Mateus Coimbra e Jobert Fernando (Carbonita)
8. Pense Novamente - Joana Darc - (Araçuaí)
9. Ameríndios - Mariene Nunes (Teófilo Otoni)
10. Nossa Missão - Aderbal Sodré - (Medina)

Sexta-feira - dia 30 de Julho

1. Caboclo Sonhador - Hewerton Santos (Padre Paraíso)
2. Homem Destemido - Ângelo Costa (Medina)
3. Cavalo Que Deus Me Deu - Ildefonso Ornelas - (Araçuaí)
4. Diporta Afora - Livro Aberto - Aislan Rodrigues - (Padre Paraíso)
5. Fantasia número 2 - Dener Pinheiro e Grace Matos (Araçuaí)
6. O Xote da Sorte - Música de Caio Duarte, Rubens Espíndola e André Lima - Interpretação Caio Duarte (Jequitinhonha)
7. A Natureza Também É Uma Santa - Neilton Rocha - (Jequitinhonha)
8. O Melhor Lugar - Rubens Espíndola - (Joaíma)
9. Essência - Maria Letícia - (Capelinha)
10. Piada Inglesa - Marcela Veiga - (Teófilo Otoni)

Só lembrando que nesta quinta-feira o evento está marcado para começar às 21 horas e o de sexta-feira foi marcado para 20h30. Logo após o Festival da Canção, será realizado os shows de Biló e Rubinho do Vale na quinta-feira e sexta-feira respectivamente.

Conheça também a classificação do 27° FESTIVALE que aconteceu na cidade de Grão Mogol em 2009:

1° lugar: Manifesto H2O
Autor: Walter Dias/Albertino Teixeira
Intérprete: Walter Dias
Araçuaí/Belo Horizonte

2° lugar: Viver
Autor: Nino Aras/Werlen Fonseca Vieira
Intérprete: Nino Aras e Werlen Fonseca Vieira
Diamantina

3° lugar: Seca Viva no Vale
Autor: Cláudio Soares
Intérprete: Joice Adna Souza Duarte
Grão Mogol

As músicas vencedoras dos Festivais da Canção de 1980 à 2004 encontram-se aqui.







terça-feira, 8 de junho de 2010

Relatos da Festa de Lançamento do 28° Festivale

A festa de lançamento do 28° Festivale, ocorrida no último domingo foi maravilhosa. Espera uma festa muito boa, por já conhecer bastante a cultura do povo da minha região, mas confesso que fui maravilhosamente surpreendido. Cheguei um pouco atrasado para resolver alguns probleminhas básicos e cheguei por volta das 5 horas da tarde ao local. Tudo bem, sou do Vale e já contava com umas horinhas de atraso e cheguei praticamente na abertura oficial onde vi pessoas que até então só tinha ouvido falar ou consultado sua vida e obra pela internet como Gonzaga Medeiros, Tadeu Martins, entre outros. Para minha grata surpresa, eu conhecia uma das principais coordenadoras do projeto. Trata-se da Ângela, diretora executiva da FECAJE, amiga de minha mãe, da minha família e me ajudou muito no começo a estar estudando aqui em Belo Horizonte.

Dentro do Jequitibar eu pude respirar um pouco do que será o Festivale em Padre Paraíso e de quebra ficar conhecendo ao vivo figuras como Rubinho do Vale, Saulo Laranjeira, Gonzaga Medeiros, Tadeu Martins, Tadeu Franco e o já conhecido Frei Chico que confesso que quando morava em Araçuaí, não compreendia toda a sua importância para a região. Foi uma emoção incrível e a partir daí já valeu meu tempo abdicado em prol desse evento.

Para começar a parte musical, chegou um garoto novo que aparentava ser mais ao menos da minha idade e cantou uma música que eu acho que era dele para começar, cantou a tão idolatrada, música do nosso saudoso e eterno Verono, Jequitivale que levou o povo todo a cantar um verso da música que prefiro colocar no final. Por fim, nosso empolgado amigo deu uma palhinha rápida da música Jardim da Fantasia de Paulinho Pedra Azul, mais conhecida erradamente como Bem-te-vi.

A segunda atração foi um trio de meninos que estavam se lançando no evento e pelo que notei, tem o sangue artístico correndo pelas veias. Eles tinham um nome estranho que não me lembro, mas ainda bem que eles usaram este evento para trocar de nome e deixou para o público escolher. Eu não quis sugerir um nome, até porque nem estava inspirado para isto.

Logo depois pisou no palco nada menos do que Tadeu Franco com seu violão e belíssima voz cantando duas músicas. Não o conhecia e a imagem que eu tinha dele era de uma capa dum CD que eu tenho dele antes de eu sequer ter nascido. O que importa é que mesmo mais velhinho ele continua cantando muito bem.

O quarto cantor se eu não me engano foi o WalterDias, conterrâneo de Araçuaí. Ele começou falando da importância do Festivale e principalmente da implantação do projeto de lei PEC 150 que determina uma porcentagem mínima da receita do governo para investimentos em cultura. Ele foi o escolhido para compor e ser a voz da música tema do projeto. Ele falou da importância de um artista do Vale do Jequitinhonha ter sido o escolhido em vez de nomes consagrados como Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros. Bem, estou saindo do assunto e vou voltar com as músicas cantadas pelo nosso artista que cantou duas, uma que venceu o Festivale do ano passado e outra que foi 3° colocada em Araçuaí. O nome da música é Muro de Concreto e fiquei deslumbrado com a letra da música e acho uma pena que ela não tenha ganhado. Minha prima Amália já havia falado dessa canção dizendo que ela era muito bem feita e bonita, o que pude comprovar.

Depois daí fica um pouco mais difícil lembrar o nome e a sequência de vários artistas que passaram pelo palco. Podia ter anotado, feito uma grande esforço para decorar tudo, mas nada disso, fui com o intuito de me distrair e passarei aqui o principal que foi a emoção de fazer parte do evento.

Bom, partindo para os mais consagrados, vi Rubinho do Vale e o seu Trem da História animando a multidão com o apito do trem mais alegre de Minas Gerais. Rubinho do Vale tem muita história com o Festivale que como ele mesmo disse, foi sua porta de entrada para o mundo artístico. Ele ganhou na terceira e na quarta edição do evento e sempre quando pode, levanta a bandeira do evento e contribui através de algumas parcerias para a documentação e disseminação da cultura existente no Vale do Jequitinhonha.

Teve Frei Chico que mesmo com todos os seus anos revelar uma disposição imensa e tocar uma música que segundo ele, nunca havia cantado antes em público (apesar de que uma parte da música eu já conhecia) e comover o público presente. Frei Chico também merece um capítulo a parte porque foi por causa dele que nós temos muitas das músicas cantadas antigamente pelas lavadeiras do nosso Rio Araçuaí ser documentada e gravada por ele e os fantásticos corais de Araçuaí.

Foi uma surpresa boa para mim, poder ver o Saulo Laranjeira, natural de Pedra Azul, entrando e fazendo questão de participar da festa. Talvez seja o nome mais conhecido do Vale pela mídia e ele é mais um talento que participou do Festivale antigamente. Muitas pessoas nem devem saber que o Saulo também é cantor. Ele tem alguns CDs gravados e um em especial é fabuloso. Bem, ele começou cantando uma música que até então eu desconhecia e depois fez todos cantarem Arrumação e deixar sua marca registrada com uma linda mensagem durante a música.

Sou obrigado a fazer um resumão agora, até porque meu pobre cérebro não irá lembrar-se de tantos artistas detalhadamente. Voltando aos shows então, lembro-me de um jovem cantor de Minas Novas cantando uma música sua e mais uma vez Jequitivale que foi escrita por um conterrâneo dele, vi o nosso primeiro artista invadir o palco entre as apresentações cantar mais uma vez o nosso Jequitivale (o que não agradou muito o organizador), teve uma dupla que canta muito bem de Padre Paraíso, Wilson Dias, Lucinho Cruz, uma moça natural de Jordânia com uma bela voz, Carlos Farias tocando para o público nesta festa, Bilora e sua música fascinante e por último (até onde eu estava presente), Tau Brasil tocou um animado forró que pôs o público quase todo a dançar no meio do salão e se não me engano, outros artistas mais que podem estar escapando de minha memória neste momento que eu estou escrevendo.

No meio disto tudo teve tempo para reencontrar uma ex-colega do tempo do meu ensino primário (classificação que nem sei se existe mais). Ela estava muito diferente porque a vi muitas vezes e nem dei por conta e só ao me aproximar que pensei na possibilidade e até perguntei antes. Foi muito bom, conversamos e distinguir outra conterrânea que estava com ela, mas que não a conhecia muito no meu tempo lá no Calhau (como também é conhecida Araçuaí).

Indo para outro reencontro, como já tinha avistado Ângela, tentei me aproximar no início para cumprimentá-la só que tinha muita gente querendo falar com a presidente da FECAJE e deixei mais para o fim. Tinha que cumprimentar ela, foi uma das que mais teve disposição para me ajudar a mudar para Belo Horizonte e eu não podia passar batido. Numa meio que intromissão, consegui falar com ela disse como estava minha situação na faculdade, na vida, pedi informações sobre meu pessoal e pedi para ela enviar notícias de alguns que a um bom tempo que não vejo.

Aproveitei também e falei sobre minha monografia que indiretamente toca sobre a formação da região e ela falou que tinha um livro a respeito do meu tema escrito por ela (para minha surpresa) e se prontificou a me ajudar com o que pudesse. Aproveitei mais ainda e sabendo de sua posição, perguntei sobre alguns projetos culturais do Vale e pedi informações sobre como adquirir alguns.

O dia foi magnífico e pude perceber que vale a pena participar de eventos assim. Pessoas de boas e de bem, cultura fluindo solta no lugar, reencontros, conversas, cantoria e muita animação. Não posso esquecer-me da farofa de feijão andu com carne de sol e torresmo que comi. O prato estava delicioso e pude ficar bem satisfeito e forte para aguentar a maratona.

Isto tudo e muito mais apenas numa festa de lançamento foi gratificante demais para mim. O triste é pensar que no evento principal que vai ocorrer na última semana de Julho em Padre Paraíso, eu não vou poder estar presente. Terei que estudar firme para a ANPEC, mas fico na certeza que nosso povo está bem representado e quem de fora for participar vai ficar fascinado com que irá assistir e participar.

Por último o tal verso prometido da música Jequitivale que não sai da minha mente e foi cantada em coro por todos os presentes:

"Vale que vale cantar
Vale que vale viver
Vale do Jequitinhonha
Vale eu amo você"

quinta-feira, 18 de março de 2010

A Música do Jequitinhonha

Pesquisando sobre umas músicas que sempre marcaram meu período de morador do Calhau (Araçuaí), eu me deparei com um trabalho extremamente importante projeto do Viva o Vale! – Programa de Desenvolvimento Sociocultural do Vale do Jequitinhonha.


Numa iniciativa da Avon no Brasil e desenvolvido pelo compositor e cantor Rubinho do Vale, foi reunido uma coletânea de seis CD's com o intuito de registrar a arte de diversos cantadores de grupos de folias do Vale do Jequitinhonha e de outras manifestações musicais da região que é uma das que mais preserva sua cultura no país. Como está escrito na página oficial de Rubinho Vale, "Eternizar a música é prolongar indefinidamente a nossa cultura guardando para as gerações futuras um retrato de nossa sociedade, ultrapassando o tempo e o espaço.

É exatamente esse pensamento que norteia a coletânea A Música do Jequitinhonha, que através de uma série de seis CDs registra a arte de diversos cantadores e grupos/corais populares Vale do Jequitinhonha, que é um dos maiores pólos irradiadores de cultura popular no Brasil".

Entre os seis CDs estão:
1 - Rubinho do Vale – Vida, Verso e Viola. Neste CD Rubinho do Vale canta e conta a sua trajetória, desde a infância na pequena cidade de Rubim até conquistar os palcos do Brasil.
2 - Rubinho do Vale – Forró. Neste CD, o cantor presta uma homenagem ao lado festivo e alegre da música do nordeste de Minas.
3 - Queremos Navegar do Coral Nossa Senhora do Rosário, da cidade de Araçuaí.
4 - Cantigas do Vale, uma homenagem ao grande trovador de Jordânia, Geovane Figueiredo.
5 - Pinaco – Um Trovador de Rubim, registro de um dos maiores patrimônios culturais imateriais da cidade de Rubim.
6 - Frei Chico, Lira Marques, Dona Generosa e Corais de Araçuaí. O disco é um documentário, um registro singelo da música do Jequitinhonha, com participação especial de Dona Generosa, dos Corais Trovadores do Vale, Nossa Senhora do Rosário, Coral do Arraial dos Crioulos de Araçuaí e do Araras Grandes (meu CD preferido).

Quem quiser conhecer mais, não deixe de visitar a página do Rubinho do Vale aqui e do Canta Minas aqui.